Passos curtos em meio à quilômetros, fico incomodado com minhas mãos suando dentro do bolso, enquanto mergulho em pensamentos intensos que atrapalham meu sono.
Jamais poderia perceber a divindade das folhas caídas no asfalto, se não estivesse saído de casa durante a madrugada para caminhar.
E mesmo respirando ar tão puro como esse, exercitando meu corpo sem razão, preciso fazer algo em benefício a minha saúde mental. Minhas pernas em movimentos sincronizados agora já não param, são outras ferramentas que já não posso controlar, assim como as marcas de mordidas em meus lábios.
Engraçado como todos dormem neste momento, fazendo parte da rotina, morte de espírito. Apenas esperam o despertador tocar para que tenham mais um dia para reclamar, e desejar voltar para cama.
Meu despertador acabara de tocar, e meu corpo consegue parar. Preciso voltar, voltar para nossa realidade, nosso comodismo.
Preciso voltar a caminhar.




